ONG Missão Patinhas Felizes
- Anderson Trajano

- 25 de nov. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de dez. de 2021
Após divulgação da cantora e ex-BBB Juliette, a ONG Missão Patinhas Felizes recebeu R$ 10 mil em doações

A Missão Patinhas Felizes é uma ONG de proteção animal localizada em João Pessoa (PB) e foi fundada em 30 de agosto 2016 e surgiu após iniciativa da fundadora da ONG, Andreia Medeiros, que anteriormente era protetora independente. O perfil da ONG no Instagram é @MissaoPatinhasFelizes e atualmente está com 52 mil seguidores e, dentre eles está o cantor Jão. A entrevista foi realizada por Anderson Trajano, um dos idealizadores do Bom Amigo – Blog. Veja a seguir a entrevista completa:
BOM AMIGO: Como é realizado o resgate em casos de maus-tratos?
ANDREIA: A resgata animais que estão à beira da morte, porque não tem como resgatar todos, não tem como resgatar todo animal que está na rua. A gente só tem condições de resgatar àqueles que estão em estado crítico. Geralmente, o resgate é feito por mim, minha vice Roziris, Rafaela ou algum voluntário. Eu pago o deslocamento e elas vão resgatar.
B. A.: Falando em voluntários, o que é necessário para ser um voluntário da Missão Patinhas Felizes?
ANDREIA: Nós temos dois tipos de voluntários: temos as voluntárias da diretoria, que visitam o abrigo, que ficam a cargo de buscar doações, resgate... e às voluntárias que são para eventos de adoção.
B. A.: Vocês possuem patrocínio de alguma empresa ou o trabalho é 100% voluntário?
ANDREIA: Quem sustenta nosso trabalho de caridade é a doação de pessoas físicas. Nenhuma das voluntárias, nem da diretoria ou fora dela, recebem qualquer remuneração. Temos apenas duas funcionárias no abrigo.
B. A.: Como foi o dia a dia da ONG durante o ápice da pandemia?
ANDREIA: Durante a pandemia, os animais moravam comigo, então era eu, Andreia Medeiros, pessoa física, que pagava por tudo [...]. Eu cuidava dos 150 animais da ong e dos meus filhos. Então nesses 120 dias, cuidei do abrigo sozinha e peguei covid duas vezes, porque eu tinha que pegar a doação e resgatar, quebrei o pulso e ainda assim continuei cuidando do abrigo sozinha, por 20 dias. [...] Até 2015, o sustento com rações era do meu bolso, porque eu não era conhecida para ter doações.
B. A.: Qual era o custo nessa época?
ANDREIA: Nessa época eram 45 cães e 15 gatos, só de ração era uns R$ 2 mil, fora aluguel, veterinário, água e luz.
B. A.: E agora?
ANDREIA: O custo do abrigo é de R$ 15 mil por mês, 2.200 voluntários, R$ 900 de aluguel com energia, R$ 300 de material de limpeza, R$ 1.000 de medicamentos, cerca de R$ 10 mil em ração, de 8 a 10, porque a ração aumentou muito.
B. A.: As doações conseguem suprir tudo isso ou você paga do seu boldo para ajudar?
ANDREIA: Não. As doações não chegavam. Pra mim, o primordial foi sempre os animais terem o sustento deles, então, assim... as pessoas não ajudar pra sustentar, só ajudam pra resgatar. Se hoje eu deixar de resgatar, os animais morrem de fome. Então assim, até a campanha que eu fiz porque eu não teria como deixar as portas abertas se os animais não tivessem comida e não tivessem voluntários, porque a gente só tinha mil reais no banco da Missão. E eu só poderia tirar do meu bolso, mil reais, porque eu pago aluguel, água, luz, gasolina... não tinha condições de colocar mais (dinheiro). O que eu fazia: Resgatava. Às vezes entrava o dinheiro, mas eu tinha boleto pra pagar e eu ia pagando os boletos. E ia devendo a veterinária, porque a gente não entrega (os animais) sem vacinação e castração [...], e as pessoas não ajudam para castrar. A gente foi fazendo uma bola de neve com a veterinária, tanto que eu postei a prestação de contas no perfil do instagram, lá tem tudo o que foi gasto. Só de veterinário, foram quase R$ 40 mil, fora quase R$ 20 mil de boletos e ração.
B. A.: Tem outros bichos além de cachorro e gato?
ANDREIA: Temos uma porca. Teve um casal que adotaram comigo alguns cães e eles se separaram. Eles adotaram uma porquinha bebezinha e agora ela está grande... e vou arrumar um lugar aqui no abrigo para ela, porque se ela for para outro lugar, pode ser morta e ela foi tratada como uma criança.
B. A.: O governo brasileiro como um todo, não investe em abrigos ou hospitais veterinários públicos e são raras as cidades que possuem um (Aqui na minha cidade, agora que estão construindo um hospital veterinário público). Você acha que a falta de investimentos, de certa forma acaba sobrecarregando o trabalho de vocês?
ANDREIA: Aqui ainda vai demorar uns anos (para ter um abrigo ou hospital veterinário públicos). Mas eu pretendo não precisar, pretendo terminar meu curso antes disso (de medicina veterinária). Prefiro dar meu lugar à pessoas realmente muito pobres que não têm condições de levar seus animais em hospitais veterinários privados e vão precisar levar pra lá.
B. A.: Na nossa primeira conversa, você tinha dito que haviam realizado uma denúncia contra você por conta dos animais. Quando isso acontece, qual o procedimento? Para onde eles vão?
ANDREIA: Foi na minha casa, porque geralmente eu trago os animais para fazer o pós-resgate, porque precisam de uma atenção maior, às vezes precisam de medicamentos muitas vezes ao dia e tinha alguns latidores e eu fui denunciada por esse barulho que eles faziam.
B. A.: O perfil da ONG possui 52 mil seguidores, como você lida com essa visibilidade? Tem retorno em doações?
ANDREIA: Na verdade tem 52 mil seguidores e uma base de 1 mil bloqueados (rs). Não acho que ter seguidor ajuda. O povo acha que ajuda, mas não ajuda não. São poucos, sempre são as mesmas pessoas que ajudam [...]. A Juliette já indicou a gente duas vezes! Na primeira vez, foram quase R$ 10 mil e quitamos os boletos. Na segunda vez, quando estava começando as doações, foi quando a Marília Mendonça morreu, mas teve muita ajuda! Foi ótimo!
B. A.: 12 mil bloqueados? São haters?
ANDREIA: Ah, são muitos anos de haters [...]. A gente tem hater de toda forma que você pensar.
Texto produzido por Anderson Trajano



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